Da Base

01:10 | 16/12/2017
Brasil
  • Brasil: país do futebol feminino?

    por Psicologia DaBase em 8.ago.2016 às 10:13h

    Ao ver a seleção feminina de futebol jogando tão bem, poderíamos imaginar que os resultados devem-se ao fato de enfim o cenário ter apresentado mudanças e as mulheres terem obtido mais oportunidades e investimento.

    Infelizmente, não.

    E essa situação complexa se inicia na base. O que essas meninas enfrentam para jogar futebol é totalmente discrepante da realidade que merecem. Isso quando existe a possibilidade de fazer parte das categorias de base de algum clube.

    A própria seleção feminina precisa organizar peneiras para montar o seu elenco sub-15, dada a insuficiente aplicação de recursos na formação em todo o país e, por consequência, a ausência de competições que permitiriam a avaliação e convocação de jogadoras. Assim, muitas dessas meninas, embora nunca tenham jogado profissionalmente, competem contra seleções de países que investem no esporte escolar e universitário, como os Estados Unidos*.

    Desta forma, ao decidirem se tornar jogadoras de futebol, dificuldades para chegar ao Centro de Treinamento, a falta de apoio por parte dos familiares, estruturas de treinamento inadequadas, pouca oferta de clubes que dispõe de categoria feminina e discriminação são “apenas” alguns dos obstáculos pelos quais estas guerreiras têm que passar para conquistar o seu sonho.

    Sim, “guerreiras”. Ser uma atleta, não só de futebol, como de outras modalidades esportivas, é “remar contra a maré”. É ter que demonstrar todos os dias a sua capacidade diante de atitudes veladas, ações disfarçadas de comportamentos naturais, daqueles que em pensamento questionam “o que elas estão fazendo aqui? Por que essas meninas não vão procurar uma louça para lavar?”.

    Já avançamos muito, mas ainda há muito a se conquistar: incremento de políticas públicas que garantam o acesso de meninas à prática de exercício físico/esporte; maiores investimentos governamentais e dos clubes; mais visibilidade e patrocínios; ampliação do número de mulheres na direção de federações/confederações e outros órgãos decisórios. E, evidentemente, mais respeito e menos preconceito.

    Que a necessidade de transformação não fique apenas no discurso, que o esporte dê exemplo à sociedade e mude paradigmas. Que demorem seis, dez anos – modificações não ocorrem em três meses ou em um ano -, mas que esse processo se inicie e tenha continuidade, com compromisso e profissionalismo.

     Thaise Coutinho

    *Referência: GloboEsporte.com

  • CBF: mude o discurso, por favor.

    por Psicologia DaBase em 21.jul.2016 às 7:02h

    Essa semana foi confirmado que nos Jogos Olímpicos a seleção brasileira de futebol masculino não terá inserido na sua comissão técnica um profissional de Psicologia do Esporte.

    Entendo a posição do técnico Rogério Micale, pois faz pouco tempo que lhe foi destinada a missão de comandar a seleção olímpica, então a contratação de um psicólogo na véspera não seria o mais indicado. Porém até quando vamos ouvir o mesmo discurso?

    É incômodo ler que, em relação à preparação psicológica, já houve conversa com os jogadores e por isso está tudo tranquilo. Alguém, por gentileza, poderia explicar aos indivíduos envolvidos no futebol que Psicologia não é “conversinha”? Quem acha isso, está equivocado. Psicologia é treinamento!!

    A preparação psicológica, assim como as preparações física, técnica e tática, envolve estudo e intervenções a longo prazo, a partir de uma análise sistemática e do treinamento de técnicas e estratégias psicológicas.

    Sem se falar na tecnologia que vem sendo bastante utilizada na área, através de aparelhos de Biofeedback e Neurofeedback, por exemplo, e tem consistido em um grande auxílio à preparação.

    Um trabalho sério de Psicologia faz toda a diferença na obtenção dos resultados desejados e na forma como os atletas lidarão com os aspectos associados ao evento esportivo e à sua carreira como um todo.

    Se fosse criado pela CBF um Departamento de Psicologia para as categorias de base e profissional, mostrando que este trabalho é fundamental durante toda a carreira do jogador, as ações com o time olímpico seriam uma extensão das intervenções realizadas nos clubes e na própria seleção. Assim, nós teríamos atletas muito mais preparados.

    Não contratará um psicólogo por conta do curto prazo? Ok. Mas então que se pense em maneiras de se garantir um trabalho contínuo e bem planejado para que não tenhamos que escutar isso novamente na próxima competição. Ter psicólogos na seleção não é luxo, não é frescura. É necessidade. E essa necessidade é para “ontem”.

  • “Olha o maluco aqui, psicóloga. Pode chamar!”

    por Psicologia DaBase em 18.jul.2016 às 1:52h

    Quem nunca ouviu isso? Você vai andando pelo campo, um jogador aponta para o colega, fala algo parecido com essa frase e os outros confirmam que “esse aqui é doido mesmo, vai ter que marcar com ele várias vezes”. É uma situação bem comum, principalmente no início do trabalho do psicólogo em um clube de futebol.

    A visão de que estamos ali para tratar de algum transtorno mental é uma realidade ainda hoje, principalmente por ser um pensamento da sociedade em geral, não apenas dos indivíduos presentes nesse contexto.

    E, por mais que este ponto já tenha avançado, ainda há uma série de questões que devem ser desmistificadas sobre a figura do profissional de psicologia e quais são suas reais contribuições nas categorias de base.

    Assim, nessa coluna tratarei sobre o papel do psicólogo no futebol, destacando aspectos relacionados às seguintes temáticas:

    > O psicólogo como membro integrante da comissão técnica;

    > A influência dos pais na carreira do atleta;

    > A importância da formação do cidadão;

    > Transição para a equipe profissional e o trabalho do psicólogo no processo;

    > Preparação psicológica e alto rendimento;

    > Realidade do futebol;

    > Interdisciplinaridade e esporte.

    Será um prazer falar sobre o trabalho da Psicologia nessa modalidade esportiva tão apaixonante e desafiadora que é o futebol. Que seja um espaço para esclarecimentos, reflexões e sugestões… Os aguardo nos próximos posts!

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Thaise Coutinho já trabalhou com árbitros, escolinha de futebol, com futebol de base e profissional. Pesquisou sobre torcidas organizadas, papel do psicólogo no futebol e formação dos treinadores das categorias de base. Vivenciou o futebol por diversos ângulos e, por isso, está aqui compartilhando tudo no Psicologia DaBase!

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