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04:15 | 17/12/2018
Brasil
12/03/2016 às 14:01 - Por Redação

Jogador, treinador e empresário: ex-Timão, Vitória e seleção brasileira comenta sobre tripé na carreira

Conversa também tem histórias de bastidores dos tempos de jogador

No início dos anos 90, o Vitória se tornava destaque por revelar atletas de reconhecimento mundial. Entre eles, estava o lateral direito Rodrigo Chagas. Do Rubro-negro, ele foi para o futebol alemão para atuar pelo Bayer Leverkusen e depois atuou por clubes como Corinthians, Cruzeiro, Ponte Preta e Paysandu. Seguro na defesa e figura constante no ataque em todos os times que atuou, Rodrigo pretendia jogar até perto dos 40 anos. Hoje, aos 42, ele explica porque isso não foi possível e detalha como iniciou a carreira de treinador, os títulos já conquistados na base e, por último, como ingressou na vida de empresário. Mas não são profissões que podem gerar conflitos de interesse? Ele garante que não.

Todos esses assuntos e revelações  da carreira de Rodrigo Chagas você confere nesse bate-papo exclusivo com o Portal DaBase. Confira:

Rodrigo Chagas, aos 42 anos, é treinador desempregado e empresaria atletas

Rodrigo Chagas, aos 42 anos, é treinador desempregado e empresaria atletas (Foto: Divulgação)

Muitos dizem que o momento mais difícil na carreira do jogador de futebol é quando ele percebe que precisa parar. Conte como você enfrentou essa fase.

Parar é, realmente, o momento mais difícil para qualquer atleta. No meu caso, gostaria de ter jogado até os 38 anos, mas, infelizmente, tive um acidente (capotagem de carro) e, depois disso, aos 33, fui obrigado a parar porque tive uma lesão na coluna cervical. Por pouco não fiquei paralítico ou morri, mas, graças a Deus, estou vivo para dar continuidade à minha vida.

Depois da aposentadoria da bola, fica o aprendizado, correto? A missão, então, passa a ser a nova ocupação. Essa mudança foi muito complicada para você?

É realmente difícil. Eu e minha esposa resolvemos abrir uma academia fitness em Camaçari (RC2), mas não descartei a possibilidade de estar envolvido no futebol. Até que recebi um convite de um conselheiro do Vitória, chamado Ivan de Almeida, para trabalhar no clube que até hoje torço e tenho maior carinho. Foi através do Vitória que tive a oportunidade de me tornar treinador de futebol.

Como foi o início da sua carreira como treinador?

A primeira oportunidade foi no Vitória, como coordenador da base. Fiquei na função durante quatro meses, até que ouve a mudança e fui ser treinador do juvenil. Melhor para mim porque era campo e tinha ali a oportunidade para trabalhar com garotos na formação e, assim, poderia aprender e crescer na profissão de treinador.

Qual a grande dificuldade e diferença da vida de atleta para a de treinador?

Eu acho que a grande dificuldade de quando você é atleta é a de cumprir a sua função tática no time e quando passa a ser treinador, tem que passar a função tática para um grupo de mais de 25 pessoas. Então, aí entra a sua vivência no futebol. O que você aprendeu como jogador e com grandes treinadores, você coloca em pratica, não deixando de aprimorar fazendo cursos.

Revelado pelo Vitória, Rodrigo Chagas jogou no Bayern Leverkusen (Foto: Divulgação)

Revelado pelo Vitória, Rodrigo Chagas jogou no Bayern Leverkusen (Foto: Divulgação)

O que você já conquistou em sua carreira como treinador?

Trabalhei no Vitoria em um período de quase três anos fui bicampeão juvenil (2008 e 2009). Foi quando João Paulo [hoje no Palmeiras] e Epifânio Carneiro me mandaram embora da base e em nenhum momento respeitou o ídolo que fui para o clube, mas o que teve o melhor sabor, sem dúvida, foi o que ganhei já trabalhando na base pelo Bahia, dentro do Barradão, em 2010. Eu sou tricampeao juvenil baiano.

Dos atletas que você trabalhou, algum já teve destaque no profissional?

Vitória: Gustavo (goleiro), Leonardo (lateral), Alan (Zagueiro), Dankler (Zagueiro), Esdras(volante), Arthur Maia (meia), Leílson (meia) e Edson (atacante).

Bahia: Mansur (lateral), Robson (Zagueiro), Maracás (Zagueiro), Railan (lateral), Felipe (volante), Talisca (meia), Feijão (volante) e Zé Roberto(atacante).

O jogador e o torcedor vive intensamente a rivalidade entre os clubes. Como é para um treinador defender as duas camisas?

Agradeço ao Bahia, através de Newton Motta, a oportunidade de ter trabalhado lá, clube ao qual trabalhei durante cinco na base, na minha formação como atleta. Em relação à rivalidade, isso não vai deixar nunca de existir entre os dois clubes, mas entre os profissionais, conhecer os dois clubes acredito que facilita, porque você vai saber de que forma funciona o mecanismo de cada um e quanto ao coração, não tenho dúvida de que o profissionalismo fala mais alto .

É possível comparar a base dos dois clubes? Tem um melhor que o outro nesse sentido?

O Vitória, no período que estava lá, tinha uma base mais sólida e com menos dificuldades financeiras. Tinha uma diretoria que apoiava a base, recebíamos em dia.

No Bahia, no período que estava lá, tinha muitas dificuldades. Era um momento de muita turbulência. A prioridade era o profissional e tinha a questão do salário atrasado, mas digo a você que no Bahia, com muito esforço, disputamos por duas vezes competições internacionais na Itália.

Hoje, como treinador, você costuma usar das experiências vividas como jogador?

Graças a Deus, obtive êxito em minha carreira. Joguei em grandes clubes com jogadores de grande expressão no futebol mundial e conquistei alguns títulos na minha carreira. Pelo fato de ter tido uma carreira vencedora, tenho dos atletas muito respeito e, de fato, a gente usa exemplos que passamos na vida quando jogava.

Como você está atualmente? Treinando algum clube? Atingiu o nível que esperava depois do início vencedor na dupla Ba-Vi?

Eu tenho um ano e meio sem trabalhar em um clube. Achei que iria decolar na carreira quando obtive êxito subindo o Jacuipense para a primeira divisão do baiano e que as portas para outros clubes iriam se abrir, mas a oportunidade para os treinadores mais jovens é meio difícil. Os clubes preferem trabalhar na mesmice.

Sobre a seleção brasileira, na sua posição, Daniel Alves está aí há algum tempo. Acha que ele é mesmo a melhor opção para o Brasil? Concorda que o futebol nacional vive uma escassez de laterais direitos de nível internacional?

Eu não tenho dúvida de que Daniel Alves não é só melhor lateral que temos, mas sim o melhor do mundo e é verdade quando você diz que existe, no momento, uma escassez de lateral direito. 

Por que será que é tão difícil formar bons laterais?

O grande problema é que a maioria não nasce lateral, você faz. Porque a maioria dos garotos, quando vão fazer teste, querem ser meias ou atacantes e, depois de um tempo, o profissional que trabalha com esse atleta o observa melhor e muda para outra posição. Precisamos que os clubes de futebol coloquem profissionais que trabalhem por posição os atletas. Daí, acho que teríamos uma evolução melhor dos atletas em suas posições. 

Ex-atleta diz que já foi para o banco de reservas por imitar o treinador (Foto: Divulgação)

Ex-atleta diz que já foi para o banco de reservas por imitar o treinador (Foto: Divulgação)

As obrigações, em campo, dos laterais de antigamente eram as mesmas dos laterais de hoje?

Antigamente, os laterais tinham a obrigação de chegar sempre na linha de fundo como opção de ataque, mas, hoje em dia, com essas mudanças no futebol na parte tática, na maioria dos clubes, os laterais fazem aquela linha de quatro defensiva, não tendo a obrigação de apoiar o tempo todo, porque temos os homens de beirada. Mas, para ser um bom lateral, eu acho que a primeira coisa que se deve ter é um vigor físico bom, uma boa técnica e cruzamentos precisos.

Hoje, você tem trabalhado como empresário de atletas. Como é essa função? Não gera conflito com a função de treinador ou você já desistiu de treinar times?

Eu sou treinador de futebol. Estou empresário, pois há muito tempo meu empresário Guga vem me chamando para trabalhar com ele, pelo fato de eu ter um ótimo relacionamento com todo mundo. Mas a partir do momento que surgir uma oportunidade para treinar algum clube, eu me desvinculo totalmente dessa função, dando ênfase à minha carreira como treinador.

Algum jogador que você empresaria merece destaque?

Estamos trabalhando com Henrique, atacante do Sampaio Correia; Izael, goleiro do júnior do Bahia; Reinaldo, volante sub-17 da Portuguesa-SP e Toquinho, atacante do Bahia de Feira.

Com tanta experiência no futebol, como jogador, técnico e empresário, você deve colecionar histórias curiosas, as famosas resenhas de boleiro. Conte uma para o internauta do Portal DaBase.

Certa vez, estávamos concentrados pelo Corinthians e eu comecei a imitar como o treinador e não percebi que ele estava atrás de mim. Quando olhei para a minha frente, vi que ele estava me olhando. Aí, ele falou para mim: “Ah, você gosta de imitar seus treinadores, né? Então, amanhã você vai sentar comigo no banco de reserva”. Fim da história: ele me derrubou do time porque imitei ele.

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